A hidrovia do rio
São Francisco começa logo após a
represa de Três Marias, na cidade
mineira de Pirapora. Mas o rio está
assoriado e seco. Em junho de 2001
nenhuma das chatas (embarcação fluvial
de carga) fazia o percurso de 1,3mil
km entre Pirapora e Juazeiro. Devido
ao baixo nível das águas, uma viagem
de quase uma semana, descendo o
curso do rio, levaria quase um mês
ou mais. Além disso, a falta de
cheias é a maior reclamação dos
pescadores. Com as construções das
barragens, a vazão do rio foi regularizada.
Até antes da crise energética, 90%
da energia consumida no Nordeste
era produzida apenas apartir do
complexo de hidroelétricas da CHESF
instaladas no Velho Chico. Produzir
energia é prioridade total. A vazão
do rio depende então dos humores
dentro dos gabinetes da CHESF e
do Governo Federal em se manter
os níveis mínimos dos reservatórios.
A irrigação, o transporte fluvial,
a água para o consumo humano, a
pesca, a cultura dos ribeirinhos
são relegados a um segundo plano
frente a importância estratégica
de uma perversa política de produção
de energia muito mal planejada.